sábado, 21 de março de 2009

Memória Afetiva

Não tenho certeza se esse termo é sociologicamente correto, mas lembro numa aula da faculdade quando o professor falou de memória afetiva, e o termo era mais ou menos parecido com isso.

Memória afetiva seria a memória despertada por algum estímulo sensorial (qualquer um deles) de algum fato passado ou mesmo outro sentido que, por algum motivo, ficou relacionada a esse estímulo visual. Geralmente é um sentimento de nostalgia em relação a alguma coisa que te acontece raramente.

Um dia desses estava voltando para casa a pé, e parei para comprar algo para comer nessas lojas de doce. Olhei para a geladeira e vi um Taff Man-E:



Por algum motivo, sempre que vejo um desses (o que não é raro), lembro de quando era pequeno, e de como sempre queria tomar isso mas nunca conseguia. Lembro que achava a garrafinha legal, e que, numa vez que tomei, tinha achado aquilo muito bom. Como é dá Yakult, sempre pensei que era o Yakult de adulto.

Quando eu era criança não tomava isso porque não conseguia comprar, porque nunca saia para comprar coisas que eu queria, e minha mãe não me comprava. Mas, desde que comecei a fazer isso, a bastante tempo atrás, sempre via a garrafinha e tinha os mesmo sentimentos de pequeno: "Nossa isso deve ser bom, mas eu não posso tomar".

Mas é claro que eu posso tomar, então, neste dia que voltava a pé para casa, ao invés de comprar algo para comer, comprei uma garrafinha de Taff Man-E. A minha memória afetiva, como geralmente acontece, não guardou o gosto do Taff Man-E, mas só os sentimentos que lembro quando vejo aquela garrafinha.

E teria sido melhor se tivesse guardado, porque esse negócio é ruim para burro. Isso aí tem gosto de remédio, mais especificamente o xarope para tosse Aerolin:



Agora, quando vejo a garrafinha, ainda me lembro de quando era pequeno, mas me pergunto como eu podia gostar disso. Talvez o gosto tenha mudado, provavelmente tinha tomado isso da última vez há uns 15 anos, mas ainda lembro dos sentimentos de criança, e do incomparável desapontamento de ter tomado isso nesses últimos dias.

Uns dois dias depois, estava no curso de Avid e, sempre no intervalo, comia as bolachas olhando pela janela. No prédio do lado há uma obra, e nesse dia um bate-estaca estava trabalhando. Essa porra faz um barulho alto para cacete, mas é tão constante que geralmente você não se incomoda (mesmo porque provavelmente estará ouvindo de bem longe, onde já não é tão alto o som):



Um dia estava andando na rua com meu pai, e ele viu esse bate-estaca e comentou comigo que lembrava da infância dele, quando ia ver as obras dos primeiros prédios que eram levantados aqui na Paulista, no lugar dos casarões. Esse bate-estaca traz uma memória afetiva para meu pai, e ele lembra da infância. Ele até comentou que achava legal a máquina, quando na verdade é um inferno ficar perto de uma coisa dessas.

Só que essa máquina, hoje, traz-me a memória afetiva de lembrar da conversa com meu pai, e eu, semque que vejo uma, lembro dele comentando e fico imaginando como deveria ser a infância dele, com um sentimento de nostalgia de algo que eu nem de perto sei o que é. E não só isso: fui perguntar para meu pai o nome dessa máquina, e ele se lembrou do dia que comentou comigo dela, o que faz alguns bons anos, mas que está na memória (afetiva) dele.

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