Toda cidade muda quando chove, claro. A cidade não é (só) o que é construído em cima do seu território, e(´) sim a interação das pessoas que vivem no mesmo espaço. Então, quando chove, todas as cidades mudam, porque as pessoas atuam de forma diferente.
Mas não acho que haja cidade que mude como São Paulo.
Claro que, se chove muito, São Paulo vira o caos. Não há como negar isso – e talvez nenhuma cidade fique tão atormentada com a chuva.
Mas a chuva traz, também, mais brilho para a cidade: com o trânsito, o céu escuro e o reflexo dos faróis e dos postes no asfalto e nas poças d’água; quando chove, você fica rodeado de luz por todos os lados, e a cidade fica radiante.
A chuva também traz nitidez para a cidade. A chuva limpa a poluição, e quando ela passa a cidade está nitidamente mais “lavada”, menos embaçada do que o usual.
Além disso, brotam do chão os vendedores de guarda-chuva. Eles nunca estão lá quando chovem, e eu acho que é muito uma pessoa sair da sua casa para vender guarda-chuvas em pontos estratégicos, como pontos de metrô e saída de galerias; para mais plausível que eles sejam plantados e, com a água da chuva, germinem. Sem falar que eles nunca são os mesmos, o que me faz achar que eles só duram um dia, ou são abatidos quando levam o dinheiro para o magnata que investe no ramo dos guarda-chuvas.
Mas o melhor da chuva em São Paulo é a cidade depois dela: não há clima melhor para uma noite do que depois de uma tarde de chuva. Talvez seja assim sem chuva em outros lugares, mas é bom um clima agradável quando se vive numa cidade tão hinóspita.
Mustang + Skate
Há 15 anos

Nenhum comentário:
Postar um comentário